Mídia

Veja também: trechos de capítulos e o perfil do autor.


Release

No formato romance e em ritmo de ficção, Bye Bye Babilônia é o mais novo trabalho do escritor e jornalista Luiz Afonso, quase uma década e meia depois do autor conquistar o Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia (1995), com o livro de contos Cavalo de Santo.

Misturando ficção e realidade, o livro relata a saga de insurgentes do caos urbano que migram para as formações rochosas e vales da Chapada Diamantina. Enquanto multiplicam-se os sinais de aniquilamento do planeta, eles se reconciliam com a natureza, formam comunidades alternativas, absorvem as vibrações do ambiente e interagem com os singulares tipos humanos da região. E preparam-se para o grande embarque, vaticinado pelos místicos, em espaçonaves que os resgatarão do desastre.

Nesse cenário, o personagem principal, que faz as vezes de avatar psicológico do autor, abriga-se em uma casinha de garimpeiro, em um bucólico povoado encravado no vale, e ali faz o seu ritual de passagem, mesclando pesadelos, enlevação e uma rumorosa convivência com a diversidade ambiental e humana que o cerca.

Luiz Afonso tem muito o que dizer dessa paisagem, por onde transita há quase dez anos, escalando morros, seguindo trilhas e imergindo em cavernas, cursos dágua, sendas, feiras, botecos, comunidades como o Capão e Campos de São João e cidades carismáticas como Palmeiras. O quintal da sua casa, onde os pássaros se esbaldam no pomar e ergue-se a pedra-mirante, é esconderijo da serpente mítica e reduto da criação literária, tecida em sutil entrelace do real com o ficcional.

Cenário e repertório que revigoraram a vazão artística do autor. Antes, desalentado com o deserto editorial na Bahia e a falta de estímulo à formação cultural e à publicação de livros, ele mantinha na gaveta as criações que iam surgindo, enquanto se dedicava aos embates profissionais. Ainda que existencialmente rasos, esses embates lhe proporcionaram, em pouco mais de uma década, 19 premiações nos campos de comunicação e marketing, nove das quais nacionais.

Nos anos recentes, o chamado da literatura preencheu, definitivamente, o cotidiano de Afonso, campo a que dedica, atualmente, suas energias principais. Ironicamente, Bye Bye Babilônia, sua mais recente produção, “fura a fila” e é lançado antes dos outros inéditos, empoeirados no fundo de gavetas. Ao que parece, este livro funcionará como uma chave-mestra, com o poder de abrir o acesso a novos trabalhos que por certo despontarão e, não menos importante, destrancar aqueles outros já prontos para virem ao lume.


Repercussão